quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A velha contrabandista


                                A velha Contrabandista

 Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta.  O pessoal da alfândega  – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.

   Um dia quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela: 
  - Escuta aqui vovozinha, a senhora passa por aqui  todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

     A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros que ela adquirira no odontólogo, e respondeu: 
 - É areia!
     Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado ordenou a velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora com o saco de areia atrás.

      Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte , quando ela passou na lambreta com o saco atrás , o fiscal mandou parar outra vez mandou parar outra vez. Perguntou o que levava no saco e ela respondeu que era areia, uai!  O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes o que ela levava no saco era areia.
    Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
     - Olha vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essas coisas de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
     - Mas no saco só tem, areia! _ insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando fiscal propôs:
     - Eu prometo a senhora que deixo a senhora passar não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora esta passando por aqui todos os dias?
      - O senhor promete que não “espáia”? – quis saber a velhinha.
      - Juro – respondeu o fiscal. 
       - É lambreta. 

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