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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
A velha contrabandista
04:38
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A velha Contrabandista
Diz que era uma velhinha que sabia andar
de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um
bruto saco atrás da lambreta. O pessoal
da alfândega – tudo malandro velho –
começou a desconfiar da velhinha.
Um dia quando ela vinha na lambreta com o
saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o
fiscal perguntou assim pra ela:
- Escuta aqui vovozinha, a senhora passa
por aqui todo dia, com esse saco aí
atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que
lhe restavam e mais os outros que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
- É areia!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou
que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar
o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia.
Muito encabulado ordenou a velhinha que fosse em frente. Ela montou na
lambreta e foi embora com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado ainda.
Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro
daquele maldito saco. No dia seguinte , quando ela passou na lambreta com o
saco atrás , o fiscal mandou parar outra vez mandou parar outra vez. Perguntou
o que levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês
seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes o que ela levava no
saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha vovozinha, eu sou fiscal de
alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essas coisas de contrabando pra
burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco só tem, areia! _ insistiu a
velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando fiscal propôs:
- Eu prometo a senhora que deixo a senhora
passar não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai
me dizer: qual é o contrabando que a senhora esta passando por aqui todos os
dias?
- O senhor promete que não “espáia”? – quis saber a velhinha.
- Juro – respondeu o fiscal.
- É lambreta.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Fundamentos da Informática Educativa
03:36
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Por Armando Valente
O computador está propiciando uma verdadeira revolução no processo de
ensino-aprendizagem. Uma das razões dessa revolução é o fato de ele ser “capaz
de ensinar”. Entretanto, o que transparece, é que a entrada dos computadores na
educação tem criado mais controvérsias e confusões do que auxiliado a resolução
dos problemas da educação. Por exemplo, o advento do computador na educação
provocou o questionamento dos métodos e da prática educacional, muitas vezes
calejada pelos anos de experiência do professor como centro da informação, o
detentor do conhecimento e, o livro, umas de suas ferramentas necessárias para
o trabalho além do giz e do quadro negro.
É como se eles estivessem em cima do muro, de um lado as experiências de
anos e do outro lado o desafio do novo, da necessidade de mudar, pois muitos
acreditam que o computador é uma ferramenta pedagógica, mas não sabem como
utilizar essa ferramenta para propiciar o conhecimento; não sabem como avaliar
as atividades desenvolvidas no mesmo e, o pior de tudo é o comportamento dos
professores menos informados que receiam e relutam o uso do computador na sala
de aula. Entre outras coisas, esses professores pensam que serão substituídos
pela máquina.
E os alunos, filhos dessa era digital onde muitos pais exigem o uso do
computador na escola, já que seus filhos, os futuros membros da sociedade do
século 21, devem estar familiarizados com essa tecnologia, como ficam perante
essa indecisão e insegurança desses professores? Afinal, uma das funções de nós
educadores é preparar o aluno para viver em sociedade, e a sociedade atual está
embasada em tecnologia.
Faz-se necessário uma quebra de paradigmas de métodos educacionais, isso
não é um processo fácil e rápido; muitos colégios trabalham com a informática
educativa há anos e nem sempre ela está sendo aplicada de modo correto, onde o
aluno recebe a informação pelo professor e vai construir o conhecimento
utilizando o computador como ferramenta pedagógica. O uso do computador requer
certas ações que são bastante efetivas no processo de construção do
conhecimento. Quando o aluno está interagindo com o computador ele está
manipulando conceitos e isso contribui para o seu desenvolvimento mental.
Ele está adquirindo conceitos da mesma maneira que ele adquire conceitos
quando interage com objetos do mundo, como observou Piaget. E Papert denominou
esse tipo de aprendizado de "aprendizado piagetiano" (Papert, 1980).
Mediante relatos de professores, pode-se identificar os “otimistas
camuflados”, que são aqueles professores que afirmarm que o computador é uma
ferramenta pedagógica para em outras respostas descreveram inúmeras
dificuldades em utilizá-las e que na maioria não se qualificam e demonstram
desinteresse para mudar essa realidade de insegurança e os “otimistas
veteranos” como aqueles que vêem que mudar requer paciência e principalmente
iniciativa e demonstram interesse em saber cada vez mais como utilizar essa
nova ferramenta pedagógica.
Mas, para implantar uma informática educativa, necessita-se muito mais
do que otimismo; os gestores e professores das escolas precisam ter um bom
planejamento pedagógico e não ver apenas o computador como modismo, onde
só porque outros países (estados ou cidades) ou outras escolas dispõem do
computador na educação, nós também devemos adotar essa solução; ou porque
o computador fará parte da nossa vida, portanto a escola deve nos preparar
para lidarmos com essa tecnologia; ou colocar a informática como disciplina
curricular, com isso o aluno adquire noções de computação: o que é um
computador, como funciona, para que serve, etc.
No entanto, esse argumento é falacioso. Primeiro, computador na educação
não significa aprender sobre computadores, mas sim através de computadores.
Segundo, existem muitos artefatos que fazem parte da nossa vida cuja habilidade
de manuseio não foi adquirida na escola, por exemplo, o telefone, o rádio, a
televisão. Somos capazes de manuseá-los muito bem e essa habilidade não foi
adquirida na escola através de cursos sobre esses equipamentos.
Por que o computador merece esse destaque dentre as tecnologias, a ponto
de ser considerado objeto de estudo na escola? Se ele fará parte da nossa vida,
como já ocorre, ele será simples, descomplicado, de modo que o usaremos sem
saber que estamos usando um computador. Como ocorre com o telefone: usamos sem
saber princípios de telefonia ou como funciona o telefone. O interesse em
estudar esses objetos tecnológicos na escola deve ir além do simples fato de
eles permearem a nossa vida.
O computador é um meio didático: assim como temos o retroprojetor, o
vídeo, etc, devemos ter o computador. Nesse caso o computador é utilizado para
demonstrar um fenômeno ou um conceito, antes do fenômeno ou conceito ser
passado ao aluno. De fato, certas características do computador como capacidade
de animação, facilidade de simular fenômenos, contribuem para que ele seja
facilmente usado na condição de meio didático. No entanto, isso pode ser
caracterizado como uma sub-utilização do computador se pensarmos nos recursos
que ele oferece como ferramenta de aprendizagem e além do mais considerar as
aulas em laboratório uma motivação para os alunos.
É necessário tornar essa escola mais motivadora e interessante.
Entretanto, esse tipo de argumento é preocupante e revela o descompasso
pedagógico em que se encontra a escola atualmente. Primeiro, é assustador
pensar que necessitamos de algo como o computador para tornar a escola mais
motivadora e interessante. A escola deveria ser interessante não pelo fato de
possuir um computador, mas, pelo que acontece na escola em termos de
aprendizado e desenvolvimento intelectual, afetivo, cultural e social.
Considera-se que o computador deve ser utilizado como um catalisador de
uma mudança do paradigma educacional. Um novo paradigma que promove a
aprendizagem ao invés do ensino, que coloca o controle do processo de
aprendizagem nas mãos do aprendiz, e que auxilia o professor a entender que a
educação não é somente a transferência de conhecimento, mas um processo de
construção do conhecimento pelo aluno, como produto do seu próprio engajamento
intelectual ou do aluno como um todo. O que está sendo proposto é uma nova
abordagem educacional que muda o paradigma pedagógico.
Entretanto, a nova questão que se coloca é: como conseguir essa mudança?
Parece que o sistema educacional, como um todo, resiste a essas mudanças.
Existe uma tendência de se manter o paradigma instrucionista por razões de
ordem histórica — foi assim que fomos educados é assim que devemos educar.
Depende de nós, educadores, ver caminhando para o progresso a
aplicabilidade da Informática Educativa, isso é possível se houver uma forte
atuação da gestão juntamente com a Coordenação do Laboratório de Informática e
seus facilitadores em incluir todos os professores na era digital.
Com muita paciência e buscando compreender as fobias que amedrontam o
uso do computador pelos professores, os facilitadores conseguirão amenizar a
exclusão digital dos docentes e muitos por aí já atuam com total autonomia em
ministrar suas aulas no laboratório de informática.
Mas a principal iniciativa deve partir de cada professor em querer ser
incluso nessa era digital, não basta ter o melhor laboratório de informática se
o docente não demonstrar interesse em aprender, de nada adianta tentar aplicar
a informática educativa, afinal o computador ainda não faz milagres.
“Muitos dos desafios enfrentados tem a ver com a fragmentação do
conhecimento que resulta tanto de nossa especialidade quanto e, principalmente,
do processo educacional do qual participamos. Ambos estão diretamente relacionados
às limitações causadas por uma visão mecaniscista, que é o fruto do paradigma
dominante e segue o modelo da racionalidade científica, característica da
ciência moderna.” (Almeida, 2000a: 20)
Texto de José Armando Valente
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